Quando ainda cursava o Ensino Médio, tive a sorte de ter um entusiasta entre meus professores. A cada nova aula de História, Paulo ia além de seu papel como educador. Reiteradamente, pedia que estudássemos, pois, segundo ele, o conhecimento é a única coisa no mundo que jamais poderão nos tirar. RETROSPECTIVA 2015: leia outros relatos de repórteres do Diário
A lembrança voltou à memória em novembro, mês em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra. Para marcar da data, o Diário publicou uma reportagem mostrando os desafios de se ter a pele escura no Brasil. Para isso, contou com os depoimentos corajosos de militantes, artistas e pesquisadores. Com eles, aprendi que o país jamais experimentou por um momento sequer a falaciosa democracia racial.
Mesmo que jamais venha a sentir o gosto amargo da discriminação em função de minha cor da pele, consegui me colocar no lugar do outro. E essa é uma das grandes chances de transformação que o jornalismo nos proporciona.
Mais do que entender a mudança trazida pela Lei 10.639, de 2003, que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e da história da África nas escolas, percebi a data como uma oportunidade para que a sociedade faça um estudo de consciência e, acima de tudo, discuta humanidade. Como disse o líder religioso agraciado com o Nobel da Paz, em 1984, por sua luta contra a segregação racial, Desmond Tutu: Se você é neutro em situações de injustiça, escolhe o lado do opressor.
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